Cachorro ou Muffin? O que a IA realmente vê (e o que só nós enxergamos)  |  Blog da Zênite

Cachorro ou Muffin? O que a IA realmente vê (e o que só nós enxergamos)

Planejamento

Em 3 de fevereiro último o prof. José Anacleto, meu parceiro nas aulas sobre IA aplicada às contratações públicas, publicou post em que elenca 10 requisitos para o uso eficiente da IA na nossa área de atuação.

Minha proposta é estender a troca que estabelecemos nas aulas, não para complementar o que o prof. José Anacleto nos apresenta de forma brilhante, mas enriquecer o debate e propagar ainda mais o uso consciente dessa ferramenta que veio pra ficar!

Durante meu aprendizado sobre IA, cada explicação recebida acrescentou novas dimensões ao conhecimento, permitindo que eu a utilize de maneira mais segura e eficaz. E é por isso que pretendo, a partir do post do prof. Anacleto, “conversar com vocês e com ele”. Vamos lá? 😉

Escolho começar pelo 2º requisito do post, que é “conhecer minimamente o funcionamento dos modelos de inteligência artificial generativa baseados em linguagem natural”.

É tentador — e, por que não dizer, angustiante — imaginar que uma máquina é capaz de escrever e conversar, algo que, até ontem, só nós, humanos, fazíamos. Mas como o prof. Anacleto menciona, a IA não entende, não interpreta e não raciocina, mas sim calcula, por métodos estatísticos, qual a próxima palavra mais provável[1] considerando o contexto fornecido pela nossa pergunta (prompt).

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Compartilho a seguir um exemplo que me ajudou muito na compreensão do potencial da máquina X o nosso potencial (humano).

[Blog da Zênite] Cachorro ou Muffin? O que a IA realmente vê (e o que só nós enxergamos)

É provável que de olhar você já crave quais são os cãezinhos e quais são os bolinhos, certo?  Pois é IA não!

Diferente de nós, ela não vê, mas sim lê e processa dados com muita rapidez. No caso da imagem, para cada uma das características dos cãezinhos e dos bolinhos são atribuídos números e, considerando cálculos de probabilidade, a IA diferencia cada uma das fotos.

Colei essa imagem numa IA e ela atribuiu números a determinadas características dos cãezinhos e bolinhos:

(180, 200, 45, 10, 255, 12, Cachorro)

(60, 45, 230, 210, 0, 18, Bolinho)

(175, 198, 40, 12, 240, 10, Cachorro)

(55, 40, 225, 205, 5, 20, Bolinho)

(190, 210, 50, 8, 250, 15, Cachorro)

E eu poderia dizer a você que tentasse reconhecer o padrão e indicar se a sequência abaixo indica um cachorro ou um bolinho:

(58, 42, 228, 208, 2, 19, ________)

Mas não, não vou pedir que faça isso, porque esse é o potencial da máquina, processar um GRANDE VOLUME de dados e encontrar relações que nós demoraríamos muito ou nem conseguiríamos.

Já o nosso olhar é capaz, em segundos, de identificar o que podemos morder e que não vai latir! 😉

Exatamente por essa capacidade sobre-humana de processar o ‘chato’ e o ‘complexo’ que a tecnologia abre as portas para um outro conceito que me capturou, a Sociedade 5.0! Segue uma breve explicação gerada pelo Gemini:

A Sociedade 5.0 é um conceito que nasceu no Japão e propõe algo bem humano: em vez de usarmos a tecnologia apenas para produzir mais (como na indústria), vamos usá-la para viver melhor.

Imagine que a evolução da humanidade é como uma grande escada de cinco degraus:

A Escada da Evolução

1. Sociedade 1.0 (Caça): Onde tudo começou seguindo a natureza.

2. Sociedade 2.0 (Agricultura): Quando aprendemos a plantar e criar raízes.

3. Sociedade 3.0 (Industrial): A chegada das máquinas e das chaminés.

4. Sociedade 4.0 (Informação): A era dos computadores e da internet que vivemos até ontem.

5. Sociedade 5.0 (Superinteligente): Onde estamos pisando agora.

Diferente da Indústria 4.0, que foca em fábricas e eficiência, a Sociedade 5.0 coloca a pessoa no centro.

É como se a tecnologia deixasse de ser uma ferramenta fria em cima de uma mesa para se tornar o tecido invisível da nossa roupa, tornando a vida mais confortável, segura e sustentável para todos:

No dia a dia: imagine que, ao envelhecermos, não precisamos perder nossa autonomia. Robôs e casas inteligentes cuidam das tarefas pesadas para que possamos focar no que importa: convivência e criatividade.

– Reduzir desigualdades: levar telemedicina de ponta e educação personalizada para os cantos mais remotos do país.

– Preservar a criatividade: automatizar as tarefas chatas e burocráticas para que a gente tenha mais tempo para cozinhar um bom arroz com feijão, ouvir um podcast ou planejar a próxima viagem!

Em resumo, na sonhada Sociedade 5.0 a tecnologia se torna “transparente”. Ela está lá, trabalhando nos bastidores, para que a gente possa ser mais… gente!

Na nossa área, isso significa deixar que a IA cuide do cruzamento de dados e das burocracias, para que nós, humanos, possamos focar na estratégia e no impacto social de cada entrega — zelando pelo nosso fundamental ‘interesse público‘.

Até mais!

[1] No caso da IA generativa de texto.

 

Como citar o conteúdo do Blog Zênite:
SANTOS, Alessandra Corrêa. Cachorro ou Muffin? O que a IA realmente vê (e o que só nós enxergamos).  Blog Zênite. 02 abr. 2026. Disponível em: https://zenite.blog.br/cachorro-ou-muffin-o-que-a-ia-realmente-ve-e-o-que-so-nos-enxergamos/. Acesso em: dd mmm. aaaa.

 

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